Assim como no início de 2019, o atraso no pagamento do funcionalismo estadual segue impactando as vendas do setor de vestuário no Rio Grande do Sul. Porém, houve queda na quantidade de empresários que apontaram este como um dos motivos para o comportamento regular do varejo: em janeiro o índice era de 73,8% enquanto em junho foi para 60,8%. Os dados são da Sondagem de Segmentos da Fecomércio-RS, que consultou 385 estabelecimentos optantes do Simples Nacional, entre 3 e 15 de junho, divulgada nesta segunda-feira (1°/7).

Além da questão regional, os varejistas também indicaram a crise que o país vivencia (74,5%), a alta carga tributária (41,6%) e o custo para manter ou comprar estoques (22,6%) como outros aspectos que impedem o crescimento do seu negócio.

Para 39,2% dos entrevistados, o desempenho das vendas neste primeiro semestre foi regular, enquanto 28,1% classificaram como bom. Há uma pequena variação para aqueles que consideraram ruim (26,2%). Um dado que evidencia o esforço dos varejistas em facilitar as condições de compra dos consumidores na expectativa de melhorar os resultados é que quase metade (47,8%) tem disponibilizado crediário próprio. A perspectiva de vendas para o próximo semestre, inclusive, é que melhore muito para 42,6% dos entrevistados, enquanto 33,8% acredita que melhore um pouco e 20% que se mantenham estáveis.

A Reforma da Previdência, que é vista por boa parte dos empresários brasileiros como uma das soluções para melhorar a economia do país não tem unanimidade entre os varejistas gaúchos, visto que 35,8% são favoráveis mas demonstram ressalvas, enquanto 33,5% é completamente a favor e 17,4% se posicionam contrários à proposta.

“O primeiro semestre marcado pela lenta recuperação da economia e início de um novo governo permitiu sinais de melhora no cenário regional e reflete nesta diferença dos índices. No entanto, o setor ainda depende de melhoria em fatores externos para atender as expectativas dos varejistas”, comenta o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.