Artigo: O Rio Grande do Sul e as novas façanhas

Leia o artigo do sócio de Souto Correa Advogados, Anderson Cardoso, publicado no jornal Zero Hora.

“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra” é o trecho do hino rio-grandense que mais se sujeita a críticas. Longe de pretender responder se adequadas ou não, o tema merece algumas reflexões. Primeiro, deve-se considerar o contexto histórico. Escrito sob o entusiasmo da Revolução Farroupilha, o texto reflete a empolgação dos gaúchos com o movimento, encerrado com a assinatura do Tratado de Ponche Verde, no atual Município de Dom Pedrito, em 1845.
Veja-se que, se por um lado se considera que a República Rio-grandense (os revoltosos foram reconhecidos como “republicanos” no documento, embora o Brasil ainda vivesse numa Monarquia) foi submetida aos termos do Tratado, essa mesma República submeteu todo um Império ao atendimento de suas condições, sem o que não se conseguiu subjugar os revoltosos gaúchos.
Segundo, deve-se recordar as justas causas da Revolução. Sem adentrar em questionamentos históricos, é consenso, pelo menos, que o movimento decorre da irresignação com a alta tributação e com a falta de autonomia da Província, pautando-se, ainda que de forma limitada, por ideais liberais que resultaram na proclamação de uma República dentro do Império em 11 de setembro de 1836, contribuindo para o movimento que veio a redundar com a Proclamação da República do Brasil, em 1889. Como disse Giuseppe Garibaldi, em suas memórias, tratam-se de “feitos assombrosos” realizados por “viril e destemida gente”.
Pois bem, hoje vemos nosso Estado diante de outro desafio: uma profunda crise financeira. Embora se trate de uma crise atinente ao setor público, sua superação somente ocorrerá com a contribuição do setor privado, por meio do desenvolvimento econômico. Para tanto, é fundamental que o Governador eleito no último dia 28 de outubro, além de aprimorar a qualidade da gestão pública, incentive a inovação, reduza a burocracia e os custos de transação, possibilitando a ampliação da produtividade de nossas empresas e a criação de um ambiente atrativo a novos investimentos. E, se faltam façanhas no passado, que nos dediquemos à realização de novas, pois, como bem recorda nosso hino, “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”.

2018-11-16T17:37:09+00:00 16/11/2018|Souto Correa|