Rute Milman escreve sobre tragédia no Museu Nacional

Colecionadora de obras de arte escreveu artigo para o Jornal do Comércio
TEEC Tramontina + Influenciadores

História segura

A data de 02 de setembro de 2018 ficará para sempre registrada como o dia em que o Brasil e o mundo empobreceram.  O passado, o presente e o futuro ficaram reduzidos a cinzas.  A tragédia que ocorreu no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, demonstra, mais uma vez, o descaso com que a história, a cultura e o conhecimento são tratados em nosso país.

O fato de o Museu necessitar urgentemente de verba para modernizar seu sistema de segurança e prevenção de incêndios ficou durante cinco anos sofrendo com a famosa burocracia brasileira. Cinco anos fatais. A liberação chegou tarde demais.

Se os R$ 520.000,00 destinados à conservação do Museu tivessem sido repassados mensalmente, conforme o acordo firmado entre o governo e a instituição, certamente as condições físicas do prédio não estariam no estado em que se encontravam, e talvez portas corta-fogo, sprinklers, sensores de calor e outros mecanismos já estivessem instalados.

O caos na administração pública é de tal ordem, que sequer hidrantes são regularmente testados.  Nos dois hidrantes mais próximos, as bombas estavam sem carga. A água teve que ser transportada de pontos mais distantes. E para nos surpreender ainda mais, o Museu não possuía Alvará dos Bombeiros para funcionamento. Felizmente, o incêndio ocorreu fora do horário de visitação.

Os prejuízos são incalculáveis e irrecuperáveis. Tomara haja um seguro, que ao menos permita a reconstrução do prédio e a reposição das peças do seu conteúdo. De resto, é partir do que foi possível recuperar, e levar talvez mais duzentos anos para coletar e expor uma nova história, não mais partindo de 1818, mas de 2018.

Museus são testemunhos da história. Relatam o desenvolvimento das espécies, das sociedades, dos hábitos e costumes dos povos. São o relato do passado, que nos traz conhecimento e ensinamentos para que possamos compreender o presente e estarmos mais preparados e sábios para viver o futuro.

Leia o artigo publicado no site do Jornal do Comércio.

Confira o artigo publicado no jornal impresso:
2018-11-08T18:00:43+00:00 05/09/2018|Rute Milman|