GauchaZH publica artigo de sobre greve e tecnologia, produzido por sócia de Souto Correa

A sócia de Souto Correa Advogados Denise Pires Fincato escreveu um artigo sobre greve e tecnologia para a Zero Hora.

Leia o artigo completo:

FUTURO: A GREVE TECNOLÓGICA

Em 2007, os empregados da IBM-Itália, utilizaram-se do second life para ali fazerem suas reivindicações e demais atos de greve. Foi uma greve sem real parada de trabalho, que teve apoio das entidades sindicais e muito espaço nos noticiários internacionais, abalando a imagem da empresa. Após algumas semanas, e sem parar o trabalho, os funcionários alcançaram os benefícios trabalhistas pretendidos.

Em 2010, a Companhia Telemadrid (Espanha), utilizando-se de meios tecnológicos, tangenciou a greve de seus empregados para a retransmissão da final da Champions League e gerou um debate judicial importante no qual o Sindicato dos trabalhadores acusou a empresa de violar o direito fundamental de greve ao substituir os grevistas.

O caso italiano terminou em Acordo Coletivo (a pressão funcionou) e o caso espanhol em decisão judicial favorável à empresa (o Tribunal Constitucional concluiu que a tecnologia não substitui empregados).

Pelo visto, o meio digital é importante espaço para o exercício da pressão negocial coletiva e a automação – que viabiliza a utilização de meios auxiliares ou alternativos à força humana na produção – permite contornar alguns dos efeitos greve. No futuro, será questionável a real utilidade e eficácia das paralisações diante de um mercado que se organiza em torno de novos arranjos produtivos e busca consolidar a confiança e a sustentabilidade como valores-norte.

É preciso construir uma nova compreensão e prática para a greve. Se em determinadas atividades a parada dos trabalhadores pouco afeta o desempenho do negócio, os protestos e reinvindicações em ambientes de relacionamento virtual podem impactar de forma aguda o maior patrimônio das empresas na atualidade: sua marca e credibilidade.

O ambiente digital é o futuro local das relações coletivas de trabalho, pelo que necessário o preparo técnico à nova realidade e de especial valia a observação da experiência já construída no direito comparado.

Confira o artigo publicado:
2018-11-08T18:23:31+00:00 24/08/2018|Sem categoria, Souto Correa|