Uma voz, muitas mulheres

Mulher, filha, mãe, esposa, advogada, desinibida, articulada. Raquel é diversas mulheres em uma.

No dia Internacional da Mulher, a equipe da Fatto Comunicação conta a história de Raquel Stein, advogada que luta pela diversidade no Direito

A advogada Raquel Stein acredita que o real significado de diversidade é tentar ter o maior volume de informações possíveis para tomar a decisão mais acertada sobre uma situação ou sobre alguém. “Nunca vamos conseguir fazer um julgamento totalmente certeiro, mas dessa forma podemos ser mais justos”.

Por isso, a palavra está tatuada em sua carreira e rotina. Integrante do Comitê de Diversidade do escritório Souto Correa Advogados, também preside a Women in Law Mentoring Brazil (WLM), organização sem fins lucrativos que incentiva a liderança em jovens advogada.

Aos 36 anos, Raquel conta que foi em 2014 que a sua luta pela diversidade começou. Ao perceber que seu nome estava no ranking internacional Chambers and Partners, que destaca advogados de todo o mundo, não ficou feliz. Passando os olhos pela lista, achou apenas nomes masculinos. “Fiquei chocada. Eu era a única mulher da lista. Esse foi o estopim para mim. Decidi que precisava fazer alguma coisa”.

A WLM é a única organização sem fronteiras e sem bandeiras que liga a área do Direito e a diversidade no Brasil. “São mulheres ajudando mulheres. Não é um ambiente de competição”, esclarece. A decisão de criar a WLM partiu da percepção da existência de uma lacuna na formação acadêmica. “Existem regras não faladas, pessoas que recebem vantagens, questões de networking. Nos encontros, buscamos passar isso para as jovens advogadas. Elas precisam ter conhecimento dos vieses inconscientes do mercado que ninguém nos conta durante a Faculdade”. Esses vieses são pré julgamentos especialmente em relação à identidade de gênero, orientação sexual e raça.  

“Escolho no máximo três [prioridades] e tento criar um equilíbrio dentro da semana, trato o tempo como um mosaico”

Formada pela PUCRS em 2005, Raquel disse que o Direito foi sua única opção. Na área, conseguiu unir duas paixões: a leitura e a história. “Na minha família não tenho nenhuma advogado. Queria inclusive ter herdado uma biblioteca cheia, toda empoeirada. Seria meu sonho”, brinca. Desde pequena, sonhava em ser advogada e tinha uma visão bem romântica da área. “Tenho guardado um texto que escrevi na oitava série chamado ‘blood sucking creatures’, relacionado ao Direito e à justiça que mostra a certeza do caminho que queria seguir”. A expressão, no português, seria algo como “criaturas que sugam”, algo como vampiros.

O primeiro emprego de Raquel não foi na área. Ela trabalhou como babá aos 15 anos, enquanto ainda morava nos Estados Unidos. Ao lado da família, permaneceu no país por quatro anos, por conta do doutorado do pai, na cidade de Tucson, no Arizona. Depois disso, morou dois anos no Canadá. As idas e vindas fizeram com que fosse obrigada a se adaptar a diferentes culturas, por isso considera que a adolescência foi um dos períodos mais desafiadores da sua vida.

Hoje, quando consegue algum tempo livre, viaja e procura estar perto da família. Também gosta muito de ler, principalmente obras ligadas à questões feministas. Suas autoras preferidas são a inglesa Jane Austen e a colombiana Laura Restrepo. Quanto ao tempo, Raquel conta que segue um conselho de Randi Zuckerberg: todos os dias, ao acordar, escolhe entre família, amigos, saúde, trabalho, e se dedica totalmente ao que escolheu. “Opto por no máximo três e tento criar um equilíbrio dentro da semana, trato o tempo como um mosaico”, explica. São decisões e renúncias da mulher, filha, mãe, esposa e advogada. Raquel é diversas mulheres em uma. E todas são, fielmente, ela!

2018-11-14T14:53:47+00:00 08/03/2018|Fala Feminina|